quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Aprofundamento: O que você precisa saber nesse momento?

 
 
Você acha mesmo que o baixo nível de cultura é obra do acaso?

Você acha mesmo que projetos de leis a favor do aborto são de fato para ajudar as mulheres?

Você acha mesmo que a ideologia de gênero é para dar liberdade às pessoas?

Você acha mesmo que vivemos uma verdadeira liberdade?

Você acha mesmo que essa cultura contra a família é resultado natural da modernidade?

O que a Verdade de Jesus Cristo tem a nos dizer sobre essas questões e outras questões importantes para nossa vida?

Faça já sua inscrição e venha conhecer mais sobre ideologias anticristãs que estão inseridas em nosso cotidiano!

Dias: 27 e 28 de setembro. O horário no sábado é das 08:30 às 18:30 e no domingo das 08:30 às 12:30.

Local: Sede da Comunidade Gratidão (Rua 12, Chácara 143/1, Casa 05 - Vicente Pires)

Valor: R$30,00

Inscrições: vão até o dia 25 de setembro e podem ser feitas em nossa sede ou pelo email comunidadegratidao@gmail.c
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Testemunho - Teologia do Corpo no Hallel




Ano passado estivemos no Hallel com o módulo de Teologia do Corpo e experimentamos grandes graças de Deus! Nesse ano, novamente estaremos lá e esperamos a sua participação!

O Hallel será no sábado, dia 20 de setembro, a partir das 08h00, no ginásio Nilson Nelson. A entrada é franca!

Confira o testemunho da Elaine Leal, que ano passado conheceu o Hallel e a Teologia do Corpo!

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O primeiro contato que tive com a Teologia do Corpo foi no Hallel de 2013 e não poderia ter sido melhor. Naquele dia, 14 de dezembro, tinha tudo para dar errado. Estava desmotivada, sem ânimo e sem companhia, até que consegui convencer minha irmã (que tinha outros compromissos no dia) para ir comigo. Quando cheguei ao local e estacionei, ouvi a seguinte pergunta: “- Tem certeza que você quer entrar?” E eu já com aquela vontade no fundo do meu coração, respondi “sim”.

Ao entrar e ter o primeiro contato visual com o local, senti aquela sensação de paz interior. Fomos tentar conhecer cada espaço e vimos lugares de orações, adoração, confissões, músicas, pessoas felizes. E tudo aquilo alegrava nosso coração, ver que ainda tem muita gente do bem, pessoas ali fazendo a diferença por um único e mais belo motivo.

E então, finalmente, achamos o espaço da Comunidade Católica Gratidão, eu e minha irmã entramos meio envergonhadas e começamos a ouvir a palestra sobre a Teologia do Corpo. Todas aquelas palavras eram novas e ao mesmo tempo se encaixava perfeitamente para nossa vida. Nós (eu e minha irmã) tínhamos acabado de passar por um momento muito difícil, momento que deixou nossos corações em pedaços e aqueles ensinamentos nos emocionavam muito, em pouco tempo já podíamos perceber o valor de uma mulher, de um homem e de um casal. No final, na hora da oração, aquela música “Te amo, és precioso. Teu nome gravado está em minhas mãos” me deixou emocionada mais uma vez, me fez perceber que nós temos o melhor, o mais verdadeiro, o mais divino amor desse mundo.

Podemos afirmar que chegamos de um jeito apreensivo e saímos mais livres, mais conscientes e com gostinho de quero mais, de aprofundar todos aqueles ensinamentos.

Foi a primeira vez que fomos ao Hallel e com essa experiência vivida pretendemos comparecer todos os anos pela frente. Deixo meu agradecimento a todos os presentes, organizadores e em especial à Comunidade Católica Gratidão, que fez o convite e me apresentou a Teologia e que tem mudado de uma forma fascinante minha vida.

Parabéns a todos, porque assim como me resgatou, resgatam milhares de vidas para o bem, para Deus!

Atenciosamente,
Elaine Leal

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Retiro Vocacional O que Deus quer de mim?

Você já encontrou o seu lugar na Igreja? Já sabe qual o sonho de Deus para você?

Agosto é o mês vocacional e por isso preparamos para você o Retiro "O que Deus quer de mim?"

Será um retiro aberto de dois dias em que serão abordadas as várias dimensões da vocação do homem.

Faça já sua inscrição!

Dias: 16 e 17 de agosto. No sábado o retiro começará às 14h00 e no domingo às 08h00.
Local: Sede da Comunidade Gratidão (Rua 12, Chácara 143/1, Casa 05 - Vicente Pires)
Valor: R$30,00
Inscrições: vão até o dia 14 de agosto e podem ser feitas em nossa sede ou pelo email comunidadegratidao@gmail.com


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Testemunho - Teologia do Corpo



Boa noite!

Partilhamos com você o testemunho da Elaine Leal sobre a Teologia do Corpo. Ela conheceu a TdC no Hallel do ano passado e frequenta o nosso curso desde fevereiro.

Esperamos por você no sábado, para que venha ter uma experiência semelhante à dela.
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A Teologia do Corpo chegou à minha vida com todas as respostas para minhas dúvidas. Cresci em uma família com muito amor envolvido e ao mesmo tempo com um conceito errado desse “amor”. Apesar de ainda não ter sofrido nenhuma decepção amorosa presenciei pessoas que amo sendo machucadas e isso também me machucava indiretamente, o que acabou fazendo com que eu me bloqueasse para qualquer tipo de relacionamento. E talvez, por causa desse bloqueio acabei me isolando. No auge da minha adolescência me prendi em um mundo virtual, depois de um tempo, ainda com um coração ansioso, cheio de dúvidas, por meio de influências de algumas pessoas e mais uma vez com um conceito errado sobre o amor resolvi experimentar um momento mais aventureiro, o que me fez sair da solidão, mas ainda não tirava a inquietação do meu coração, pelo contrário, fiquei com mais. Aqueles momentos não me faziam feliz, às vezes, na hora sim, mas depois sempre vinha o arrependimento e eu percebia que isso não era o que eu buscava.

Foi então que Deus enviou na minha vida um membro da comunidade, que me convidou para conhecer os lindos e sinceros caminhos do Senhor. Lembro que o primeiro contato que tive foi no Hallel que em tão pouco tempo já tinha me encantado e sentido algo diferente no meu coração, algo me chamando a conhecer melhor. Comecei a participar dos encontros e foi como se eu estivesse em um corredor escuro e a cada sábado uma luz ascendia. Que felicidade! Ali, naqueles momentos de estudo da TdC eu conseguia me encontrar e me entender.

A Teologia do corpo me fez amadurecer e entender que eu fui criada para o amor. Que apesar da visão da sociedade e das opiniões de alguns amigos eu não preciso ter vergonha de viver da maneira que Deus escolheu para mim. Hoje eu não tenho medo ou vergonha de expor isso, pois a TdC me ajudou a ter um conceito diferente. Que viver a castidade não é “brega” e sim uma escolha linda, um respeito com o meu corpo e com o corpo do meu próximo.

O tema “matrimônio” do encontro passado fez com que os gelos do meu coração se quebrarem ainda mais. Percebi que ainda tenho uma visão muito egoísta, talvez pela criação e pela o que a sociedade impõe hoje em dia, mas me deu a certeza que eu quero ser diferente, quero ser aquilo que Deus preparou para mim. Semanas atrás em uma conversa com minha mãe comentávamos sobre a passagem “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor. Pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador.” E nem eu e nem ela chegamos a uma conclusão, mas posso até confessar que pensamos em um conceito totalmente preconceituoso. Até que sábado, para minha surpresa, tivemos o estudo dessa passagem e consegui entender que são palavras perfeitas e também o tanto que eu estava errada. Foi uma alegria chegar em casa, poder voltar ao assunto e explicar para minha mãe o verdadeiro significado. Fez-me pensar também quantos e quantos casais se desfazem por não conhecerem essa linda essência e em como levar isso para a sociedade e para minha própria família.

Enfim, com a TdC aos 23 anos me redescobri com um sentimento mais belo e puro, sem tantos julgamentos e cobranças, mas de uma forma livre. E que sim, é possível acreditar no amor e é o amor que Cristo expressou na Cruz que eu devo copiar. Posso afirmar que sou uma pessoa muito mais feliz agora e que consigo entender o verdadeiro sentido de viver o amor. Ainda tenho que aprender muito, mas aos poucos estou conseguindo sair desse bloqueio comigo mesma. Como eu disse, a cada sábado meu corredor vai ascendendo uma luz.

Agradeço a Deus por ter me escolhido a participar dessa Teologia, seria muito bom se todas as pessoas conhecessem. E agradeço muito também à Comunidade Católica Gratidão por esse lindo trabalho, pelo espaço, por essa oportunidade e por essas pessoas que com a benção Deus ajudaram a clarear minha vida.

Atenciosamente,

Elaine Leal

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Retiro Dia - O Matrimônio sob a perspectiva da Teologia do Corpo

"A união do marido e mulher no amor também se expressa no corpo” São João Paulo II

Convidamos você para o Retiro Dia com o tema: O matrimônio sob a perspectiva da Teologia do Corpo!

O retiro terá momentos de formação, oração, testemunhos, partilha e adoração.

Nosso encontro não é somente voltado para casais, mas para todos aqueles que desejam a vocação matrimonial e que buscam entender a perspectiva da Igreja sobre a união do homem e da mulher no sacramento.

A inscrição pode ser feita em nossa sede ou pelo email comunidadegratidao@gmail.com

Dia: 02/08
Horário: 08h00 às 18h00
Inscrição: R$20,00

Esperamos por você!




sexta-feira, 25 de julho de 2014

Exercícios Espirituais - A submissão recíproca no temor de Cristo





“Sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo. As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador”. Ef 5

Trecho da Catequese 89: A submissão recíproca "no temor de Cristo".

1. Iniciamos hoje uma análise mais particularizada do trecho da carta aos Efésios 5, 21-33. O Autor, dirigindo-se aos cônjuges, recomenda-lhes que sejam "submissos uns aos outros no temor de Cristo" (5, 21).
Trata-se aqui de uma relação com dupla dimensão ou de duplo grau: recíproco e comunitário. Um precisa e caracteriza o outro. As relações recíprocas do marido e da mulher devem brotar da comum relação de ambos com Cristo. O Autor da carta fala do "temor de Cristo" num sentido análogo a quando fala do "temor de Deus". Neste caso, não se trata de temor ou medo, que é a atitude defensiva diante da ameaça do mal, mas trata-se sobretudo de respeito pela santidade, pelo sacrum; trata-se da pietas, que na linguagem do Antigo Testamento foi expressa ainda com o termo "temor de Deus" (cf. por ex. Sl 103, 11; Pr 1, 7; 23, 17; Sir 1, 11-16). Com efeito, tal pietas, nascida da profunda consciência do mistério de Cristo, deve constituir a base das recíprocas relações entre os cônjuges.
(...).

3. A expressão que abre o nosso trecho de Ef 5, 21-33, do qual nos estamos a aproximar graças à análise do contexto remoto e imediato, tem eloquência muito particular. O Autor fala da mútua submissão dos cônjuges, marido e mulher, e de tal modo faz também compreender como é necessário entender as palavras que escreverá em seguida sobre a submissão da mulher ao marido. Com efeito lemos: "As mulheres sejam submissas aos maridos como ao Senhor" (5, 22). Exprimindo-se assim, o Autor não pretende dizer que o marido é "patrão" da mulher e que o pacto interpessoal próprio do matrimónio é um pacto de domínio do marido sobre a mulher. Exprime, pelo contrário, outro conceito: que a mulher, na sua relação com Cristo — que é para ambos os cônjuges único Senhor — pode e deve encontrar a motivação daquela relação com o marido, que brota da essência mesma do matrimónio e da família. Tal relação, todavia, não é submissão unilateral. O matrimónio, segundo a doutrina da carta aos Efésios, exclui aquela componente do pacto que pesava e, por vezes, não deixa de pesar sobre esta instituição. O marido e a mulher são de fato "submissos um ao outro", estão reciprocamente subordinados. A fonte desta recíproca submissão está na pietas cristã, e a sua expressão é o amor.

4. O Autor da carta sublinha de modo particular este amor, dirigindo-se aos maridos. Escreve de fato: "E vós, maridos, amai as vossas mulheres...", e com este modo de exprimir-se tira qualquer temor que poderia suscitar (dada a sensibilidade contemporânea) a frase precedente: "As mulheres sejam submissas aos maridos". O amor exclui todo o gênero de submissão, pelo qual a mulher se tornasse serva ou escrava do marido, objeto de submissão uni lateral. O amor faz que ao mesmo tempo também o marido seja submisso à mulher, e submisso nisto ao Senhor mesmo, assim como a mulher ao marido. A comunidade ou unidade, que devem constituir por causa do matrimônio, realiza-se através de uma recíproca doação, que é também submissão mútua. Cristo é fonte e ao mesmo tempo modelo daquela submissão que, sendo recíproca "no temor de Cristo", confere à união conjugal um carácter profundo e amadurecido. Múltiplos fatores de natureza psicológica ou de costumes são, nesta fonte e diante deste modelo, de tal maneira transformados que fazem brotar, diria, nova e preciosa "fusão" dos comportamentos e das relações bilaterais.

(...). Com efeito, é certo que, quando o marido e a mulher forem submissos um ao outro "no temor de Cristo", tudo encontrará o justo equilíbrio, isto é tal que há-de corresponder à vocação cristã deles no mistério de Cristo.

6. Diversa é certamente a nossa sensibilidade contemporânea, diversos são também a mentalidade e os costumes e diferente é a posição social da mulher diante do homem.

(...)
7. O Autor do texto aos Efésios, que iniciou a sua carta com magnifica visão do plano eterno de Deus para com a comunidade, não se limita a pôr em relevo só os aspectos tradicionais dos costumes ou os éticos do matrimónio, mas ultrapassa-o âmbito e o ensinamento, e, escrevendo sobre a relação recíproca dos cônjuges, descobre nela a dimensão do mistério mesmo de Cristo, de que ele é anunciador e apóstolo. "As mulheres sejam submissas aos seus maridos como ao Senhor, pois o marido é a cabeça da mulher, como. também Cristo é a Cabeça da Igreja, Seu Corpo, do qual Ele é o Salvador. E como a Igreja está submetida a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos seus maridos. Maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e por ela se entregou" (5, 22-25). Deste modo, o ensinamento próprio desta parte parenética da carta é, em certo sentido, inserido na realidade mesma do mistério escondido desde a eternidade em Deus e revelado à humanidade em Jesus Cristo. Na carta aos Efésios somos testemunhas, diria, de um particular encontro daquele mistério com a essência mesma da vocação para o matrimónio. Como se deve entender este encontro?

8. No texto da carta aos Efésios ele apresenta-se primeiro que tudo como uma grande analogia. Lemos nele: "As mulheres sejam submissas aos maridos como ao Senhor...":  eis a primeira componente da analogia. "O marido é cabeça da mulher, como também Cristo é cabeça da Igreja...": eis a segunda componente, que forma o, esclarecimento e a motivação da primeira. "E como a Igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres estejam sujeitas aos seus maridos...": a relação de Cristo com a Igreja apresentada precedentemente, é agora expressa como relação da Igreja com Cristo, e nisto está compreendida a componente sucessiva da analogia. Por fim: "Maridos, amai as vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja e por ela Se entregou...": eis a última componente da analogia. O seguimento do texto da carta desenvolve o pensamento fundamental, contido na passagem agora mesmo citada; e o texto completo da carta aos Efésios no cap. cinco (vv. 21-23) está inteiramente dominado pela mesma analogia; isto é: a relação recíproca entre os cônjuges, marido e mulher, é entendida pelos cristãos à imagem da relação entre Cristo e a Igreja.


Diante da leitura da carta aos Efésios e da catequese acima, te convidamos a refletir: O que você pensa quando lê o trecho da carta aos Efésios exposto acima? O que te vem a cabeça quando se lê o termo “submissão da mulher”? Quantas vezes ouvi esse trecho da Escritura e não concordei com o que dizia? Será que entendo e aceito que a verdadeira submissão está no amor? Será que minha relação com o próximo se submete à minha relação com Cristo? Vivo o significado esponsal do meu corpo ou me fecho no egoísmo?

Agora faça uma oração pedindo que o Espírito Santo venha te convencer das verdades inscritas nas Escrituras, que Ele venha te ensinar a maneira de se submeter à Cristo e por isso se submeter ao outro, que Ele derrame sobre você o dom do temor a Deus e assim te leve a doação de si aos outros.


Virgem Maria, rogai por nós!

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Uma Teologia Básica do Casamento





Por Christopher West

O século XX testemunhou desenvolvimentos significantes na teologia da Igreja a respeito do casamento, começando com a encíclica Casti Conubii, escrita pelo Papa Pio XI em 1930, passando pelo Concílio Vaticano II e a encíclica Humanae Vitae, do Papa Paulo VI, e culminando nos vários escritos e pensamentos do Papa João Paulo II. De fato, mais de dois terços de tudo o que a Igreja Católica disse sobre o casamento em seus dois mil anos de história veio à tona durante o pontificado de João Paulo II. [1]

O Concílio Vaticano II marcou a mudança de uma apresentação meramente “jurídica” do casamento, típica de muitos pronunciamentos anteriores da Igreja, para uma abordagem mais “pessoal”. Em outras palavras, ao invés de focar meramente as “obrigações”, “direitos” e “fins” do casamento, os Padres do Concílio enfatizaram como essas mesmas obrigações, direitos e fins são manifestados pelo amor íntimo e interpessoal dos esposos. “Tal amor, fundindo o humano e o divino, conduzem os esposos a uma livre e mútua doação de si mesmos, uma doação oferecendo-se a si mesmos por uma suave afeição, e por direito; tal amor permeia completamente suas vidas, crescendo mais e melhor através de sua generosidade.” [2]

Explicar de que forma o amor conjugal pode ser uma “fusão entre o humano e o divino” é a meta da teologia do casamento. Embora muito mais possa e deva ser dito do que este artigo permite[3], nós podemos ao menos apresentar uma teologia matrimonial básica. Comecemos com uma definição do casamento vinda do Vaticano II e da Lei Canônica, e depois explicaremos cada um de seus pontos.

Uma Definição de Casamento

O casamento é a íntima, exclusiva e indissolúvel comunhão de vida e de amor assumida por homem e mulher como desígnio do Criador com o propósito de seu próprio bem e da procriação e educação dos filhos; esta aliança entre pessoas batizadas foi elevada por Cristo Senhor à dignidade de um sacramento. [4]

Comunhão íntima de vida e amor: o casamento é a mais estreita e a mais íntima das afeições humanas. Ele envolve a partilha da vida inteira de uma pessoa com seu(sua) esposo(a). O casamento chama os esposos para uma mútua entrega de si mesmos um ao outro, tão íntima e completa que — sem perder sua individualidade — se tornam “um” não somente no corpo, mas também na alma.

Comunhão exclusiva de vida e amor: como uma doação mútua de duas pessoas uma à outra, esta união íntima exclui semelhante união com qualquer outra pessoa. Ela exige a total fidelidade entre os esposos. Esta exclusividade é também essencial para os filhos do casal.

Comunhão indissolúvel de vida e amor: marido e mulher não se unem apenas pela emoção ou pela simples atração erótica, a qual, egoísticamente buscada, rapidamente vão embora[5]. Eles se unem num amor conjugal autêntico pelo firme e irrevogável ato de sua própria vontade. Uma vez que seu mútuo consentimento seja consumado pela relação sexual, um inquebrável laço é estabelecido entre os esposos. Para os batizados, este laço é selado pelo Espírito Santo, e se torna absolutamente indissolúvel. Assim, a Igreja não ensina que o divórcio é errado, mas que o divórcio é impossível, independente de suas implicações civis.

Assumidos por homem e mulher: a complementariedade dos sexos é essencial para o casamento. Há tanta confusão difundida hoje em dia a respeito da natureza do casamento que alguns desejam extender o “direito legal” de se casar para duas pessoas do mesmo sexo. A verdadeira natureza do casamento torna impossível tal proposição.

Como desígnio do Criador: Deus é o autor do casamento. Ele inscreveu o chamado ao casamento em nosso próprio ser criando-nos homens e mulheres. O casamento é governado por suas leis, fielmente transmitidas por sua Noiva, a Igreja. Para o casamento ser o que ele é, ele precisa estar conforme a estas leis. O homem, portanto, não são livres para mudar qualquer significado ou propósito do casamento.

Com o propósito de seu próprio bem: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18). Ao contrário, é para o seu próprio bem, para seu benefício, enriquecimento, e finalmente, pela sua salvação, que um homem e uma mulher unem suas vidas no casamento. O casamento é a mais básica expressão da vocação para o amor que todos os homens e mulheres possuem, enquanto pessoas criadas à imagem de Deus.

E da procriação e educação dos filhos: “Por sua própria natureza, a instituição do casamento e do amor conjugal são ordenadas para a procriação e educação dos filhos, e encontrar nisso seu auge máximo”[6]. Os filhos não são acrescentados ao casamento e ao amor conjugal, mas brotam, como fruto e realização, do próprio coração da mútua doação entre os esposos. A exclusão intencional dos filhos, portanto, contradiz a própria natureza e propósito do casamento.

Aliança: uma vez que o casamento envolve um contrato legal, ele precisa se submeter à aliança matrimonial que proporciona uma estrutura mais forte e sagrada para o casamento. Uma aliança convida os esposos a compartilhar do amor livre, total, fiel e fecundo de Deus. Por isso é Deus quem, à imagem de sua própria Aliança com seu povo, une os esposos de uma forma tão ligada e tão sagrada como nenhum contrato humano poderá jamais garantir.

A dignidade de um sacramento: o casamento entre pessoas batizadas é um sinal eficaz da união entre Cristo e a Igreja e, assim, é um canal de graça (veja abaixo uma discussão mais completa). O casamento de duas pessoas não batizadas, ou entre uma batizada e outra não batizada, é considerado pela Igreja um casamento “bom e natural”. Embora não sacramentais, tais casamentos são uniões sagradas que compartilham do mesmo bem e dos mesmos propósitos do casamento sacramental.

A Centralidade do Casamento no Plano de Deus

“A Sagrada Escritura começa com a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus e conclui com uma visão das ‘núpcias do Cordeiro’. As Escrituras falam do começo ao fim sobre o casamento e seu ‘mistério’, sua instituição e o significado que Deus lhe deu, sua origem e seu fim, … as dificuldades em se erguer do pecado, e sua renovação ‘no Senhor’”[7]. Do começo ao fim do Antigo Testamento, o amor de Deus por seu povo é descrito como o amor de um esposo por sua noiva. No Novo Testamento, Cristo encarnou este amor. Ele veio como o Noivo Celeste para unir-se indissoluvelmente à sua Noiva, a Igreja.

O casamento, portanto, não é uma questão periférica na vida cristã. Ele se encontra justamente no coração do mistério cristão e, por meio de sua grandiosa analogia, serve para iluminá-la. Todas as analogias são inadequadas em suas tentativas de comunicar o mistério de Deus. Porém, falando sobre casamento e família, João Paulo explica: “Neste mundo inteiro não há uma imagem mais perfeita da União e Comunidade de Deus. Não há nenhuma outra realidade humana que corresponda melhor, humanamente falando, àquele mistério divino”[8].

O Papa João Paulo II vai, até agora, mostrando que nós não podemos compreender o mistério cristão sem que tenhamos em mente o “grande mistério” envolvido na criação do homem como homem e mulher e a vocação de ambos ao amor conjugal[9]. De acordo com a analogia, o plano infinito de Deus é “se casar” conosco (cf. Os 2,19). Ele quis este plano infinito para estar tão presente para nós que ele estampou uma imagem Sua em nosso próprio ser criando-nos homens e mulheres e chamando-nos ao casamento.
(...)


[1] “Teologia do Corpo” de João Paulo II – uma coleção de 129 audiências proferidas entre setembro de 1979 e novembro de 1984 - João Paulo II fornece a mais extensa teologia bíblica do casamento.
[2] Gaudium et Spes, n. 49
[3] Para saber mais veja os livros de Christopher West, Good News About Sex &
Marriage (Servant, 2000) and Theology of the Body Explained (Pauline, 2003).
[4] Cf. Gaudium et Spes, n. 48 e Cód. de Direito Canônico, Can. 1055
[5] Cf. Gaudium et Spes, n. 49
[6] Gaudium et Spes, n. 48
[7] Catecismo da Igreja Católica, n. 1602
[8] Homilia na Festa da Sagrada Família, 30 de dezembro de 1988

Tradução e revisão: Fabrício L. Ribeiro
 Fonte: https://sites.google.com/a/teologiadocorpo.com.br/teologia-do-corpo/